Caretas e cuspes? Onde foi que errei? A importância da alimentação na primeira infância

Caretas e cuspes? Onde foi que errei? A importância da alimentação na primeira infância

Primeiramente, é importante esclarecer o que é a primeira infância? “É a janela em que experiências, descobertas e afeto são levados para o resto da vida.” e compreende o “período da concepção, gestação até o sexto ano de vida da criança”, segundo a FMCSV e a OMS, respectivamente.

Investir na alimentação neste período é fundamental, pois dos 0 aos 6 anos que são formadas as arquiteturas cerebrais, que fornecerão a estrutura necessária para a criança se desenvolver de forma saudável, o que vai muito além de peso e altura, pois envolve o aprender, sentir, relacionar-se, comportar-se e desenvolver-se ao longo da vida.

Para os pequenos, a educação do paladar é uma das coisas mais importantes a se ensinar em seus primeiros três anos. A introdução alimentar, quando os bebês completam seis meses, é uma janela de oportunidades e dificuldades. Nessa fase e em torno dos 3 anos que os pais se descabelam tentando oferecer alimentos saudáveis em meio a muitas caretas. É um período delicado, pois nós, pais, nos sentimos angustiados quando as crianças não comem e sentimos até arrepio em pensar que o horário, ou seria, o martírio da refeição esta chegando.

Careta, cuspe, birra, choro, briga são comuns e muitas vezes associada a recusa em experimentar alimentos novos (o que chamamos de neofobia alimentar). As refeições se tornam momentos intermináveis, são as vezes horas de sofrimento para que você tente fazer seu filho aceitar um pouco da comida que preparou com tanto amor.

O cansaço e a culpa batem a porta de forma simultânea, além do julgamento de muitos com a típica frase “ele só come isso?”. A seguir apresento os principais erros que atrapalham as crianças a comer:

  1. Forçar a criança a comer ou castigá-la, caso não coma, faz com que muitas crianças relacionem o horário da alimentação com algo ruim.
  2. Transformar tudo em uma sopa liquidificada. Tampamos o sol com uma peneira. A criança não aprende, não educa seu paladar.
  3. Não oferecer mais um alimento porque a criança cuspiu e disse que não gosta. Não é porque ela recusou ou cuspiu que ela não vai gostar daquele alimento. É preciso munir-se de muita paciência e oferecer de diferentes formas.
  4. Ceder e substituir a refeição preparada e equilibrada por produtos processados ou por uma comida que a criança tem mais fácil aceitação. O alívio de “pelo menos comeu algo” pode ser um tiro no pé, as vezes é melhor que não coma nada do que vicie seu paladar.
  5. Usar de artifícios como tablet, celular, televisão e brinquedos para que a criança se distraia e coma. Nesses casos, eles realmente nem sabem o que estão ingerindo, criamos um novo problema que também terá que ser resolvido.
  6. Chantagear a criança para que coma. É comum essa chantagem estar escondidas nos “se não comer, não …”. Novamente, não resolvemos o problema, apenas empurramos e encontramos uma solução para o momento.
  7. Deixar com fome. Sim, as crianças precisam estar com fome para se alimentarem bem e também precisam reconhecer quando estão satisfeitas, mas deixar a criança um longo período sem se alimentar não faz com que elas se alimentem melhor qualitativamente. Eles precisam ter interesse pelo que comem ou continuaram seletivas.
  8. Usar recompensas como chocolates, balas e outras guloseimas para a criança comer toda a refeição. Essa atitude fomenta nelas a realização de tudo por base da troca e será normal, um ataque de birra, caso não se tenha o que é oferecido em recompensa em algum momento. E como toda criança é muito esperta, aos poucos as recompensas aumentarão, pois ela sabe que tem poder de barganha.

Todos esses artifícios podem funcionar na hora, mas apenas postergam o problema. É preciso encontrar a raiz do problema e educar o paladar e nutricionalmente essas crianças e muitas vezes também a família. Comer é prazer e precisamos estar conscientes do que comemos!

Uma pessoa que cresce comendo bem quer continuar comendo bem, independente da idade. Na primeira infância que formamos os hábitos, então não desista!

Vamos juntas construir um plano de ação e resolver o problema da dificuldade alimentar na sua casa. Nos próximos artigos trarei dicas e sugestões para educar o paladar das crianças, que podem te ajudar no dia a dia.

Sem Comentários

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será exibido.