Ajudando a acalmar o bebê

Ajudando a acalmar o bebê

O primeiro trimestre é um período de intenso aprendizado para mãe e bebê. Nesta fase, o bem-estar da mãe é o início do bem-estar do bebê. É preciso estar bem para poder cuidar de outro alguém e isso inclui o seu bebê. Então, o primeiro passo para acalmar seu pequeno é buscar sua rede de apoio e se permitir ser cuidada. Se permita a ajuda, o colo para seu filho enquanto toma um banho ou um chá. Se permita a louça na pia, a roupa para pendurar ou passar. Se permita que o carinho do colo seja para você também, se isso for possível.

Só assim poderá olhar para seu filho com a cabeça menos intensa, o coração acolhido e a serenidade que precisa para conectar-se com ele.

Já vimos que o primeiro trimestre é conhecido como exterogestação. E a melhor forma de acalmar seu bebê neste momento de transição, do ambiente intrauterino para o extrauterino, é compreender o que ele tinha à disposição antes do nascimento para saber reproduzir as condições intrauterinas, pois tudo que possa ser feito para passar por essa transição de maneira tranquila evitará que ele se sinta inseguro.

Para acalmar um bebê que chora muito, é preciso dar-lhe conforto e segurança. Nesta fase, isto significa oferecer ao pequeno a vivência das sensações já conhecidas e vividas durante a gestação. A reprodução das condições do ambiente uterino leva a uma resposta neurológica profunda: “o reflexo calmante”. Quando aplicados corretamente, os sons e sensações do útero têm um efeito tão poderoso que podem relaxar um bebê no meio de uma crise de choro. Mas o efeito só acontece se a sequência for feita corretamente e se todos os passos forem seguidos.

1. Busque a causa do desconforto

Certifique-se que os cuidados básicos, como alimentação, troca de fralda, temperatura (verificar se não está com frio ou calor) ou outro desconforto como roupas apertadas, foram atendidos.

2. Mantenha, sempre que possível, seu bebê próximo a você

Manter o bebê junto ao corpo permite a ele conforto e segurança. Estar junto ao corpo materno com o sling, por exemplo, trará ao seu bebê aquecimento adequado, ritmo e balanço com seus movimentos, além de ser possível ao bebê ouvir sons conhecidos como as batidas do seu coração e sua voz.

3. Reproduza as sensações pré-nascimento

A técnica elaborada pelo pediatra e pesquisador norte-americano Harvey Karp é conhecida como 5S. É importante realizar todas as 5 etapas

– Swadding ou enrolar o bebê no charutinho: enrolar o bebê segundo a técnica que nossas avós usavam realmente dá resultado! Isso porque o charutinho, além de aquecer o bebê que perde calor com facilidade para o ambiente no início da sua vida, mantém a restrição de movimentos que o bebê experimentava no ambiente intrauterino. Ainda no primeiro trimestre, é muito comum que o bebê tenha espasmos musculares e, como os espasmos são movimentos involuntários, o bebê se assusta. Quando estão enroladinhos no charutinho, esses movimentos bruscos são contidos, favorecendo o relaxamento, segurança e descanso!

– Side Stomach ou lado do estomago: deixar o bebê apoiado lateralmente sobre o braço direito do cuidador e de costas para ele também ajuda a acalmá-lo. A técnica para pegá-lo é simples: com o bebê já enroladinho no charutinho, apoie a cabeça dele sobre o antebraço do cuidador, passando o antebraço sobre o ombro direito do bebê, apoiando seu corpinho e barriga. A mão do cuidador irá segurar a coxa esquerda do bebê. Mantenha-o junto ao corpo para que seja possível acompanhar todos os seus movimentos.

E por que virar o bebê para o lado direito e não o esquerdo? Para facilitar a progressão do leite do estômago para o intestino com a ajuda da gravidade e minimizar o refluxo.

Lembre-se: quando for colocar o bebê no berço, NUNCA o coloque de bruços (barriga para baixo). A posição mais segura para seu bebê dormir é com a barriguinha para cima!

– Shushing ou chiado: para bebês novinhos, “shhh” é o som do silêncio. O chiado deve ser vigoroso e alto, como aquele som que se ouve durante a ultrassonografia fetal que é realizada no pré-natal. Coloque sua boca a 10-20 cm de distância dos ouvidos do bebê e faça “shhh”, “shhh”. Aumente o volume do “shh” até ficar tão alto quanto o choro do bebê. Pode parecer rude tentar “calar” um bebê choroso fazendo “shhh”, mas para o bebê, é o som do que lhe é familiar. Com o bebê enroladinho e já na posição adequada, faça o chiado próximo ao ouvido até ele se acalmar.

– Swinging ou balanço: balançar o bebê o faz lembrar dos movimentos que estava habituado no ambiente intrauterino. Mas cuidado: balançar não é chacoalhar! O balanço deve ser suave, leve e ritmado. Quando balançar o bebê, seus movimentos devem ser rápidos, mas curtos. A cabeça do bebê não fica sacudindo freneticamente. A cabeça move-se, no máximo, de 2 a 5 cm de um lado para o outro. A cabeça está sempre alinhada com o corpo e não há perigo de o corpo mover-se numa direção e cabeça abruptamente ir para a direção oposta.

Existe uma frase, dedicada à dupla Frederick Leboyer e Loving Hands, que eu gosto muito e resume bem este momento: “A vida era tão rica no útero. Rica em sons e barulhos. Mas a maior parte era movimento. Movimento contínuo. Quando a mãe senta, levanta, caminha e vira o corpo – movimento, movimento, movimento”.

– Suck ou sucção: A sucção nesta fase é muito importante e intensa. O ato de sugar realmente acalma o bebê. Para a sução pode ser oferecida a chupeta (se este for o desejo da família), o dorso da mão do bebê ou o dedo limpo do cuidador.

No útero, o bebê está apertadinho, com as mãos sempre próximas ao rosto, sugando os dedos com frequência. Quando nasce, não mais consegue levar as mãos à boca. A sucção não nutritiva é outra forma de acalmar o bebê.

Caso seja sua escolha, a amamentação em livre demanda é uma excelente opção para passar por essa fase. Ela não é recomendada somente para garantir a nutrição do bebê e a produção de leite da mãe, mas também para suprir a necessidade de sucção não nutritiva. Alguns especialistas orientam as mães a darem chupetas para isso. Mas, ainda que a chupeta seja oferecida ao bebê, não deve ser introduzida nas seis primeiras semanas de vida, quando a amamentação ainda está sendo estabelecida. Há sempre o risco de haver confusão de bicos, acarretando em pega incorreta, alteração da qualidade da amamentação e dor ao amamentar.

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